domingo, outubro 23, 2016

Amor




Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua do estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro .

Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.

Que este amor só me veja de partida.


Hilda Hilst


5 Comments:

Blogger Unknown said...

Um beijinho e feliz por a ler.
Visito-a com frequência, como sabe. Tenho estado doente com problemas graves na vista mas não deixo de espreitar.
Feliz por a encontrar apesar do poema ser triste.
Clara Marques

2:00 da tarde  
Blogger Mar Arável said...

Todas as flores se desfolham

até tu ROSA

10:12 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

O amor, um tema infindável.

FELIZ NATAL
BOM ANO 2017

Mabuel

9:59 da tarde  
Blogger DE-PROPOSITO said...

Que a felicidade possível esteja por aí.

MANUEL

7:44 da tarde  
Blogger lupuscanissignatus said...

longe, tão longe chega o Poema

10:33 da manhã  

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