quarta-feira, abril 02, 2008

Abril

Almond Blossom ( Van Gogh)



Quando em Abril os doces aguaceiros caem
E até às raízes a seca de Março penetram,
E todas as veias são banhadas por um licor
Tão poderoso que até engendra a flor,
Quando também Zéfiro que docemente respira
Exala em cada arvoredo e urze uma brisa
Sobre os rebentos delicados, e o sol de tenra idade
Do signo de Carneiro já percorreu metade,
E as pequenas aves fazem concertos
Passando as noites de olhos abertos
(Assim a Natureza as incita e a tal compromete os seus corações)
Então as gentes anseiam por sair em peregrinações
E os romeiros por encontrar os lugares remotos
De santos distantes, que em muitas terras encontram devotos,
E especialmente dos confins de cada condado
Da Inglaterra, até à Cantuária têm chegado
Para procurarem o mártir e bem-aventurado santo, tão diligente
A prestar-lhes auxílio quando estiveram doentes.


Geoffrey Chaucer
(in Contos de Cantuária)

tradução de Cecília Rego Pinheiro
Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro

.

11 Comments:

Blogger poetaeusou . . . said...

*
neste poema
anda o polen no ar,
o cheiro a flora
no ar que zéfiro respirou,
e respira
no olimpo, no eden,
um floriano zéfiro
uma zéfiroana flora
uma só primavera
num van gogh . . . a dois . . .
,
conchinas em aris, o meu,
,
*

12:04 da tarde  
Blogger rendadebilros said...

este tempo de renovação de abril de sol suave renova também o tempo de poesia... Bonita inspiração.
Beijos.

9:10 da tarde  
Blogger Spectrum said...

Que excelente escolha minha querida amiga!
Abril e a Primavera são tempos de poesia, de vida, de recomeços..
Beijinhos minha querida amiga

9:17 da tarde  
Blogger Maria said...

é tempo de renascimentos.....
Excelente o quadro de van gogh que escolheste.

Beijinhos, Ana

4:56 da manhã  
Blogger rendadebilros said...

Tens razão: nem decretos nem avaliações e fez-se tanta coisa e tanta actividade e havia colaboração e ninguém andava a ver quem ficava na escola e quem não ficava e as horas fora do horário e tal... mas mudam-se os tempos...
Pois é um prazer ver-te por lá por qualquer dos sítios.
Beijos.

1:54 da tarde  
Blogger hfm said...

Ana, ao acabar de ler o livro que tenho entre mãos, não pude deixar de pensar em ti - o livro desenrola-se em Barcelona. Na Barcelona doutro tempo, ma nela. Um livro que recomendo e estive a reler. Descobri-o há aí uns dois anos - Na Sombra do Vento de Zafron.

2:38 da tarde  
Blogger Fernando Rozano said...

poeta em que se vai entranhando em cada verso, em cada imagem, e então, me descubro saindo de março e descobrindo abril. Belíssimo. (o livro recomnedado no comentário anterior, é realmente excelente. vale a pena. estive com em fins do ano passado e largá-lo foi difícil.) beijo, Ana e feliz fim de semana.

7:29 da tarde  
Blogger Fernando Rozano said...

Este comentário foi removido pelo autor.

7:38 da tarde  
Blogger un dress said...

tanto abrigo neste poema... tantO







~

12:22 da manhã  
Blogger Carminda Pinho said...

Ana,
tempo de Abril, de flores de sol e, também virão as águas mil?
É que a tradição já não é mesmo, aquilo que era...:)

Beijos

3:40 da manhã  
Blogger Sophiamar said...

Amiga da Encosta mais bonita que conheço, agradeço-te este cheirinho doce da Primavera, das chuvas de Abril, mês de águas mil, das árvores em floração, dos aromas que nos fazem sonhar.

Beijinhosssss mil

12:51 da tarde  

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