domingo, maio 17, 2009

Traduzir-se

Foto de Pedro Gomes aqui



Uma parte de mim
é todo mundo;
outra parte é ninguém;
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão;
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera;
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta;
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente;
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem;
outra parte
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
_ que é uma questão
de vida ou morte_
será arte?



Ferreira Gullar

.

12 Comments:

Blogger ADiniz said...

A dualidade humana,agita no equilibrio, mas por vezes
abre uma fenda pra duvida,
desconstrui suas certezas.

Bjs e um domingo ensolarado!

3:52 da manhã  
Blogger PAS[Ç]SOS said...

Quando há arte, é na fronteira do encontro, no limite mais próximo das duas partes de nós, que se processa a moldagem, que trabalha os extremos e os equilibra.

5:12 da tarde  
Blogger A.S. said...

Querida Ana...

Um belissimo poema de Ferreira Gullar!
Aqui na tua Encosta, delicio-me com a poesia que nos deixas!


Um grande abraço!

5:23 da tarde  
Blogger Lídia Borges said...

Muito bonito este poema...

Perdi-me por algum tempo nas ondas da encosta deste mar. Gostei do que vi e li.

Voltarei!!!

9:03 da tarde  
Blogger poetaeusou . . . said...

*
nas cores
de preto e branco,
feito vida bicolor,
eis a questão,
,
brisas nocturnas,
,
*

9:40 da tarde  
Blogger O Profeta said...

Um Violoncelo reage ao toque
Vibram as cordas, solta-se a melodia
Das mãos escultoras das notas
Saem afagos de sonora magia

Uma alma reage aos acordes
Um coração bate ao compasso
Uma voz entoa dolentemente
Um corpo deseja o abraço


Bom domingo



Doce beijo

11:29 da tarde  
Anonymous hb said...

bom blog

12:30 da manhã  
Blogger ~pi said...

não posso dexar de ouvir Adriana a cantar isto


belo do belo!!



BEIJO



~

10:18 da manhã  
Blogger Pedro Branco said...

Serei eu parte de mim
Uma espécie de aroma de jardim
Que se evapora na pele dos amantes?
Serei eu onda forte
Uma tempestade de amor forte
Que se faz poema em versos inconstantes?

Serei eu metade de cada pedaço
Uma inquietação na ponta dos dedos
Fonte de memórias e segredos?
Serei eu peregrinação que faço
Sempre que me carrego assim
Parte de tudo, parte de mim?

11:39 da manhã  
Blogger Isamar said...

O ser humano e a sua permanente dualidade. A razão e o coração dão-nos estas duas faces que se completam. E eis o Homem!

Beijinhos

Bem-hajas!

4:29 da tarde  
Blogger Baby said...

Adriana Calcanhoto, as palavras do poeta e a música...A beleza tem várias faces, esta é uma delas.

Muito obrigada por este momento.
Beijinhos.

2:52 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

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3:45 da manhã  

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