terça-feira, março 08, 2005

Vazio

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Inútil, vazio, oco,
assim está o meu peito
a cada dia que passa
a cada sonho desfeito.
Perdi o norte, a esperança,
uma andorinha sem asas.
Sinto crescer as raízes
que me prendem, asfixiam
e me queimam como brasas.
Não vejo nem posso ouvir,
das sombras que me rodeiam
é impossível fugir.
Sei que existem outros mundos,
que há locais onde o sol
continua a brilhar
e os pássaros chilreiam,
mas aqui onde me encontro
os silêncios são profundos.
Inútil, vazio, oco,
assim está o meu peito.
Não encontro solução,
no deserto onde me deito
está desfeita a ilusão,
só me resta um grito rouco...
Onde estás meu coração?
Tão vazio o meu peito.

10 Comments:

Blogger concha said...

Poema bonito Ana, mas assustador o vazio de não encontrar o nosso coração. E contudo saber que acontece que aconteceu e não querer que aconteça mais.

11:36 da manhã  
Blogger AS said...

Ana, o vazio no teu peito, só ficará preenchido se deixares aberta a porta!!!

Um beijo

1:06 da tarde  
Blogger Paz Kardo said...

Que belo poema, pena que seja esse vazio que te leve a exprimir tais palvras... Antes fosse o contentamento do teu coração o dono dessa inspiração que te toma. Saudações Nómadas...
http://nomadasperdidos.blogspot.com

5:18 da tarde  
Blogger Daniel Aladiah said...

Querida Ana
O que está vazio, preencher-se-á... mostrando que a diferença é significativa e que é responsável pela relatividade de tudo. Como saberíamos que somos felizes se não conhecêssemos a infelicidade?
Um beijo
Daniel

10:38 da tarde  
Blogger lique said...

Se sabes que existem outros mundos,são esses que deves procurar. Os locais onde o sol brilha. O vazio do teu peito será preenchido. Beijinhos

11:42 da tarde  
Anonymous Alex said...

Gostei muito.
Parabéns e continue.
Beijinhos

4:52 da manhã  
Blogger Cris said...

Tu és linda, Ana. Nunca feches as portas da tua alma que ela n merece q lho faças!

Um beijinho doce

12:16 da tarde  
Anonymous maat7 said...

por incrível que pareça, o vazio de que falas, parece-me um vazio de ausências. por vezes somos levados a experimentar este estado por alguma razão que não conhecemos(ou conhecemos), mas ...o teu poema tocou-me tanto! Será possivel ?

um beijo,

maat

8:42 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Depois há a esperança... O renascer, as mãos, as casas, os dias e o ar que semeaste entre nós.

beijinhos
vento

9:11 da tarde  
Blogger Ana said...

Pela primeira vez me atrevi a deixar, entre as palavras dos grandes, as minhas pobres palavras pequenas. Obrigada a todos pelo estímulo dos vossos comentários.
Ana

2:27 da manhã  

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