sábado, março 05, 2005

O corpo não espera

.
O corpo não espera. Não. Por nós
ou pelo amor. Este pousar de mãos,
tão reticente e que interroga a sós
a tépida secura acetinada,
a que palpita por adivinhada
em solitários movimentos vãos;
este pousar em que não estamos nós,
mas uma sêde, uma memória, tudo
o que sabemos de tocar desnudo
o corpo que não espera; este pousar
que não conhece, nada vê, nem nada
ousa temer no seu temor agudo.

Tem tanta pressa o corpo! E já passou,
quando um de nós ou quando o amor chegou.


Jorge de Sena

1 Comments:

Blogger AS said...

Belissimo poema de Jorge de Sena!

A sensualidade da imagem deixa adivinhar a tanta pressa que o corpo tem !...

Um beijo grande

9:14 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home