quarta-feira, junho 25, 2008

Não é o coração



Não é o coração
mas esta carne
em seu rumor.

Não é o coração
mas teu silêncio
de intenso furor.

Não é o coração
mas as mãos
sem corpo, vazias.

Na grave melodia
de um instante
tu e eu
em desiquilíbrio
na infame
consistência
de um absoluto
obstáculo.



Ana Marques Gastão
(in Nocturnos)



Lamento não saber indicar quem é o autor/a da foto. Encontrei-a na net, guardei-a e esqueci-me de registar onde.
Se alguém souber... agradeço.

.

13 Comments:

Blogger Cris said...

Minha querida,
Há muito q n vinha aqui dar-te um beijo, mas acredita q foi apenas por falta de tempo... Começo agora a ter alguns dias com menos trabalho e estou a tentar rever os amigos de q sinto tanta falta...

continuas a colocar no teu canto palavras lindíssimas.
tenho saudades tuas... para qd uma visitinha a Aveiro e o nosso cafezinho?

beijinho doce

12:15 da manhã  
Blogger poetaeusou . . . said...

*
é do furor
do vento norte
que ouço o instante
da grave melodia
intensa ironia
coração sonante
cantando a minha sorte
em suave rumor
,
corações em conchinhas
,
*

10:02 da manhã  
Blogger maria m. said...

de um desencontro, de mãos vazias...

gosto sempre de te vir aqui ler, Ana.

10:33 da manhã  
Blogger ContorNUS said...

Bom vir aqui...

11:23 da manhã  
Blogger Baby said...

Belo poema que nos fala de mãos vazias, neste mundo quase sempre vazio. Que bom que haja pessoas que, com meia dúzia de palavras, nos preencham as entrelinhas vazias e nos façam sentir plenas.

Beijinho amigo.

10:42 da manhã  
Blogger Dois Rios said...

"nao é o coaracao mas esta carne em seu rumor..."
A carne sempre grita, sempre clama, sempre pede, sempre quer...
Beijos,

8:35 da tarde  
Blogger Maria said...

As mãos vazias de corpos é o pior que há........

Um beijo, Ana

2:39 da tarde  
Blogger lena said...

hoje li uma das poeta que mais tenho lido

adorei encontra-la aqui na encosta do mar

e partilho outro também do mesmo livro:


Vens de noite no sonho
sem pés
entre páginas
de gasta paciência
quando a música findou
e teu sorriso se desfez
como um grão de pólen.

Vens no veneno oculto
de meus dias
no silêncio
dos meus ossos
devagar
arrastando em queda
o nosso mundo.

Vens no espectro
da angústia
na escrita
inquieta
destes versos
no luto maternal
que me devolve a ti.

A escuridão desce então
sobre o meu corpo
quando o rosto da morte
adormece na almofada.

Ana Marques Gastão
Nocturnos


um abraço terno e obrigada por trazeres até aqui tão bela poesia

beijinhos

lena

9:21 da tarde  
Blogger jasmimdomeuquintal said...

Gostei da foto e do poema.

9:38 da tarde  
Blogger ~pi said...

muro:


que


se


par ta




~

10:33 da tarde  
Blogger hfm said...

Tão belo!
Um abraço de quem acabou de chegar.

8:42 da manhã  
Blogger Sophiamar said...

Um belo poema. O teu bom gosto sempre presente.

Obrigada, amiga.

Beijinhos

8:12 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

venha participar em www.luso-poemas.net

12:01 da tarde  

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