quarta-feira, abril 28, 2010

Em legítima defesa

Foto de Katia Chausheva aqui



Sei hoje que ninguém antes de ti
morreu profundamente para mim

(...)

Os outros estão mortos porque o estão
Só tu morreste tanto que não tens ressurreição
pois vives tanto em mim como em qualquer lugar
onde antes te encontrava e te posso encontrar
e ver-te vir como quem voa ao caminhar
Todos eram mortais e tu morreste e
vives sempre mais



Ruy Belo

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domingo, abril 25, 2010

25 de Abril

segunda-feira, abril 19, 2010

Se eu não morresse nunca

Foto de Celso Camacho aqui



(...)

Se eu não morresse, nunca! E eternamente
Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas...

(...)


Cesário Verde

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terça-feira, abril 13, 2010

Que amor não me engana



video


Que amor não me engana

Com a sua brandura

Se da antiga chama

Mal vive a amargura

...

Assim tu souberas

Irmã cotovia

Dizer-me se esperas

Pelo nascer do dia.



As palavras, a música e a voz inesquecível de Zeca Afonso. Memórias que permanecem vivas , esperando o nascer do dia.

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sexta-feira, abril 02, 2010

Correspondência ao mar

Foto de António Fonseca Lopes aqui



Quando penso no mar
A linha do horizonte é um fio de asas
E o corpo das águas é luar;

De puro esforço, as velas são memória
E o porto e as casas
Uma ruga de areia transitória.

Sinto a terra na força dos meus pulsos:
O mais mar, que o remo indica,
E o bombeado do céu cheio de astros avulsos.

Eu, ali, uma coisa imaginada
Que o eterno pica,
Vou na onda, de tempo carregada,

E desenrolo:
Sou movimento e terra delineada,
Impulso e sal de polo a polo.

Quando penso no mar, o mar regressa
A certa forma que só teve em mim -
Que onde ele acaba , o coração começa.

Começa pelo aro das estrelas
A compasso retido em mente pura
E avivado nos vidros das janelas.

Começa pelo peito das baías
Ao rosar-se e crescer na madrugada
Que lhe passa ao de leve as orlas frias.

E, de assim começar, é abstracto e imenso:
Frio como a evidência ponderada,
Quente como uma lágrima num lenço.

Coração começado pelos peixes,
É o golfo de todo o esquecimento
Na mínima lembrança que me deixas,

E a Rosa dos Ventos baralhada:
Meu coração , lágrima inchada,
Mais de metade pensamento.



Vitorino Nemésio
(in O Bicho Harmonioso )




Na memória que o mar deixou, que este seja um tempo de renovação da esperança.

Feliz Páscoa
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