sábado, julho 09, 2005

Deixa-me dormir


Foto de Luis Lobo Henriques aqui


Deixa-me dormir
quando
morre a noite.
Assim o amor
será absoluto
sacrifício
impassível sangue
árido prazer.

Deixa-me dormir
quando
morre a noite.
Assim o amor
guardará
uma grega ilusão
de sonho
e embriaguez.

Deixa-me dormir
quando
morre a noite.
Assim o amor
terá merecido
a dor, veloz,
insustentável
e imoderada.

Deixa-me dormir
quando
morre a noite.
Assim o amor
dir-nos-á
sois abandonados
cristos
na boca de deus.


Ana Marques Gastão

4 Comments:

Blogger Vênus said...

Delicioso poema...Sentido e essência de todos os meus...Na noite..e nos sonhos somos o que quisermos ser..temos quem sonhamos ter...
Ana és doce em tuas escolhas!
Bjs;)

1:27 da tarde  
Blogger lique said...

Mais uma maravilhosa escolha, Ana. É bom vir aqui e ler o que a tua sensibilidade nos dá. Beijinhos

5:54 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

a manhã despertará
da sombra

é quase domingo de julho
lê-se completamente poesia

encosta do teu mar
espelho de memória

beijinhos
vento

11:37 da tarde  
Blogger Orfeu said...

Refugiados no sonho, na noite...naquilo que queremos sonhar. As tuas escolhas magníficas, fazem pensar e ter vontade de vir aqui tornando este espaço refúgio de pensamentos. Parabéns…

1:12 da manhã  

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