quarta-feira, abril 05, 2006

Gaivota


Foto de Pedro Ferreira aqui


Um dos milagres da poesia é o de, a partir de umas, fazer nascer outras palavras.
Este poema foi-me deixado como comentário a um dos meus posts anteriores.
Obrigada, mARio.



É o horizonte que se move?
ou o meu olhar parou aqui?

Os meus dedos
as minhas mãos
alteram-se
e escrevem.

Ainda bem que estamos juntos...
Estamos aqui... encostados ao mar...

Líquidos contornamos
dispersos
o delinear
o cheiro leve dos poemas.

Estaremos vivos enquanto as ondas ininterruptas batem
enchendo a maré
e o azul se submete mais azul ainda
num risco marcadamente azul
transparente
leve
belo e subtil

desejosamente enlouquecido
a chamar-se
gaivota.


mARio

8 Comments:

Anonymous o encoberto said...

é isto que é importante na blogosfera, esse companheirismo...bjs

11:56 da manhã  
Blogger AS said...

Muito lindo este poema!... É assim que se constrói a partilha de palavras! Felicito-te Ana!...

Um beijo meu

6:59 da tarde  
Blogger Isa&Luis said...

Encontrei o teu cantinho através de outra voz. Gostei muito do que li. O poema é belíssimo!

Tem uma semana deliciosa

Jinhos

Isa

7:16 da tarde  
Blogger Lmatta said...

Gosto
esta lindo parabens aos dois

7:34 da tarde  
Anonymous Tó Luis said...

Olá Ana...o que aqui tens é a prova real que quando as pessoas querem sabem dar as mâos...e esta imagem com o poema ficam lindos de mâo dada.
Obrigada pela visita á galeria...espero-te lá... para uma opiniâo mais pessoal.(se não te importares vou pôr a tua ENCOSTA DO MAR nos meus favoritos).
Beijinhos aguardo resposta.

8:53 da tarde  
Blogger Duarte said...

Ana,
Apesar da aparente ausência, tenho aparecido algumas vezes pela encosta do mar, mas faço-o sem deixar comentário. Limito-me a ler alguns dos poemas que nos deixas. Hoje, ao contrário do habitual, sinto-me tão grato pelo teu comentário, pela beleza das tuas palavras que me sensibilizaram. Não vejo como uma despedida, apenas abracei o desfiladeiro, mas agora parto para outros voos. Não coloco de parte um regresso. No desfiladeiro cresci e "vivi". Espero que mantenhas a encosta do mar por muitos anos. Virei cá sempre que a disponibilidade o permitir. Um beijo, Ana, vou andar por aí :)

9:32 da tarde  
Anonymous Ana Luar said...

Encontrei-te na palavra...não fiz um poema...mas adorei o poema feito. Belissimo o dom da palavra!

10:47 da tarde  
Blogger Amaral said...

Para além dum belo presente, é um belo poema. Daqueles que passam pela imaginação, pelos dedos e ficam a pairar no universo invisível, ao alcance de quem passa, para prazer de quem lê…

11:42 da tarde  

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