sexta-feira, julho 14, 2006

Nesta última tarde em que respiro


Foto de Leiluka aqui



Nesta última tarde em que respiro
A justa luz que nasce das palavras
E no largo horizonte se dissipa
Quantos segredos únicos, precisos,
E que altiva promessa fica ardendo
Na ausência interminável do teu rosto.
Pois não posso dizer sequer que te amei nunca
Senão em cada gesto e pensamento
E dentro destes vagos vãos poemas;
E já todos me ensinam em linguagem simples
Que somos mera fábula, obscuramente
Inventada na rima de um qualquer
Cantor sem voz batendo o teclado;
Desta falta de tempo, sorte , e jeito,
Se faz noutro futuro o nosso encontro.


António Franco Alexandre

10 Comments:

Anonymous Guilherme F said...

A janela para o mistério que se abre. Para onde? Perguntamos cada dia. Carregamos as pedras da vida. O mar traz o repouso do dia.
Bjs

5:40 da tarde  
Blogger AS said...

Ana, um poema lindo, mas muito pouco promissor! Um poema traduz sempre uma realidade, ainda que inconsciente. Mesmo quando se inventa obscuramente qualquer rima...

Um beijo e bom fim de semana

7:46 da tarde  
Blogger lazuli said...

a nostalgia aparente do poema atinge no seu fim os sons e um olhar para o desconhecido horizonte.
Bastará uma janela para se ver a sombra que se tornará luz.

beijos

4:25 da manhã  
Blogger hfm said...

Beloooooooooooooooooooo!

1:05 da tarde  
Blogger Daniel Aladiah said...

Querida Ana
Escolhas que são estados de alma...
Um beijo
Daniel

4:57 da tarde  
Blogger Lmatta said...

bela escolha
gostei
beijos

9:45 da tarde  
Blogger rouxinol de Bernardim said...

Escolho muito apropriada! gostei imenso!

7:50 da manhã  
Blogger Guilherme F. said...

E digo.. "Grande Obrigado pelas vossas palavras.Ficaram gravados num cantinho especial" Bjs

7:04 da tarde  
Anonymous Tó Luis said...

Óla Ana...
Achei muito interessante esta frase:
(cantor sem voz batendo o teclado)ou seja , algo de impotente , o não ter voz , para uma saida extraórdinaria ,um desabafo de raiva...
Beijinho , gostei muito.

12:34 da manhã  
Blogger DE PROPOSITO said...

'Pois não posso dizer sequer que te amei nunca'.
Se não pode dizer é porque possívelmente amou. As palavras têm destas coisas.
Fica bem.
Manuel

9:10 da tarde  

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