terça-feira, dezembro 11, 2007

Como posso eu amar-te...

Magritte


Como posso eu amar-te, se nem sei
como à porta te chamam os vizinhos,
nem visitei a rua onde nasceste,
nem a tua memória confessei.
Que vaga rima me permite agora
desenhar-te de rosto e corpo inteiro
se só na tua pele é verdadeiro
o lume que na língua se demora...
Não deixes que se enganem os recados
na infernal gazeta publicados
que te dão já por escultura minha;
nocturno frankenstein, em vão soprei
trompas de criação, e foste tu
quem me criou a mim quando quiseste.




António Franco Alexandre
(in Duende)

.

14 Comments:

Blogger Maria said...

Não conhecia....
Obrigada, Ana.

Beijo

12:32 da manhã  
Blogger Sophiamar said...

Gosto muito de António Franco Alexandre. Um poema lindíssimo de um poeta que conheci pessoalmente.
Quanto a ti, que tão bem divulgas a poesia, deixo-te beijinhos mil.
Tem um bom dia!

6:14 da manhã  
Blogger Amaral said...

Imagem e poema à altura da tua escolha.
Porque a tua sensibilidade te permite saber escolher, partilho contigo este momento.
"...se só na tua pele é verdadeiro
o lume que na língua se demora..."

10:39 da manhã  
Blogger hfm said...

Magritte e Franco Alexandre - será preciso mais?

10:41 da manhã  
Blogger maria m. said...

que belo poema de amor!
o amor que vem da alma...

continuas a divulgar boa poesia, Ana.

12:25 da tarde  
Blogger poetaeusou . . . said...

*
Não deixes que se enganem os recados !!!
*
xi
*

2:42 da tarde  
Anonymous tibeu said...

Olá, venho desejar uma boa semana e repassar a
CAMPANHA, SOU SEU FÃ!!!

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´´´´´¶¶´Fô¶¶¶¶
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Você já ganhou a sua, agora vou
ver se ganho a Minha Também. Passe para seus AMIGOS,
e ganhe mais Estrelinhas também.
beijinho mágico e tem uma boa semana

5:57 da tarde  
Blogger Fernando Rozano said...

pura poesia e escrita da alma, a que percorre todas as veias. belíssimo. obrigado por apresentar esse magnífico poeta, António Franco Alexandre. Beijos, Ana.

7:50 da tarde  
Blogger Nuno Dempster said...

Tenho o livro e creio que a obra reunida, e é o meu poeta português preferido, da vaga que chegou depois de Ruy Belo. Hoje o poeta está internado, afectado psicologicamente pela morte do filho. Conheci-o também, mas por razões diversas da poesia. É um belo poema.

9:36 da manhã  
Blogger maat said...

julgava já ter deixado o meu sim...mas enganei-me...ou desapareceu como o vento...:)

Claro que pode,,,com o meu nome também. Ana, fico grata,e pela sua sensibilidade nesta sua Casa de Alma.

***maat

10:23 da manhã  
Blogger Noite said...

por vezes não existimos quando criamos o outro no vazio das horas perdidas em nós. Por vezes simplesmente nos acompanhamos, para não ficarmos sós.

4:52 da tarde  
Blogger un dress said...

...só encontro uma palavra:

bouleversement.

11:41 da tarde  
Blogger Brancamar said...

Belo poema sobre os mistérios infinitos do amor!
Escolhido com muita sensibilidade, como tu sabes.
Beijinho

12:00 da manhã  
Blogger via said...

gosto à brava do franco alexandre e este poema é bravo

2:53 da manhã  

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