quinta-feira, agosto 26, 2010

Sótão

Foto de Simona Carli



Por interstícios das malas abertas de quando éramos
crianças gritam as bocas sem nenhum eco
das bonecas. Criaturas fictícias, escalpelizadas
e sem tintas, de ventre oco. Mas o mortal
lugar do coração está ainda a palpitar.
O bojo do peito de celulóide, como o meu,
pede-nos perdão pela saudade que nos devora.



Fiama Hasse Pais Brandão
(in Cenas Vivas)


.

9 Comments:

Blogger hfm said...

Escalpelizando a memória. Não conhecia. É lindo!

11:45 da manhã  
Blogger Baby said...

Saudade dos corações que ainda palpitam nas nossas lembranças.
Muito lindo.
Um beijo.

6:46 da tarde  
Blogger Manuela Freitas said...

Poema que não conhecia e veio de encontro à fase da minha vida, que agora mais me procura.
Bj
Manuela

7:49 da tarde  
Blogger poetaeusou . . . said...

*
sótão
o disco rígido da memória,
,
imemoriais marés, deixo !
,
*

11:38 da manhã  
Blogger Vieira Calado said...

Desejo-lhe um bom Fim de Semana.

Beeijocas

12:00 da manhã  
Blogger Graça said...

Magnífica escolha, Ana. O teu espaço é um verdadeiro local de encontro de belas palavras. [E algumas tão pouco conhecidas e divulgadas!]

O meu 'palco' resiste sempre... mesmo quando as razões para o 'encerrar' são tão fortes :).


Um beijo de carinho para o teu domingo.

2:49 da manhã  
Blogger Daniel Aladiah said...

Querida Ana
Também, às vezes, a saudade me asslta, mas logo acelero no caminho...
Um beijo
Daniel

12:06 da tarde  
Blogger DE-PROPOSITO said...

de quando éramos
crianças
............
E será que não somos sempre crianças ?!...
------
Felicidades.
Manuel

1:09 da tarde  
Blogger A.S. said...

Querida Ana...

No peito vazio, acontecem ainda todos os sonhos, todos os desejos, os mais doces amanheceres!


BjO´ss
AL

5:45 da tarde  

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