sábado, janeiro 15, 2011

O jardim das oliveiras

Foto de Dalibor Talajic



Se procuro o teu rosto
no meio do ruído das vozes
quem procura o teu rosto?

Quem fala obscuramente
em qualquer sítio das minhas palavras
ouvindo-se a si próprio?

Às vezes suspeito que me segues,
que não são meus os passos
atrás de mim.

O que está fora de ti, falando-te?
Este é o teu caminho,
e as minhas palavras os teus passos?

Quem me olha desse lado
e deste lado de mim?
As minhas dúvidas, até elas te pertencem?




Manuel António Pina
(in O Caminho de Casa)

.

12 Comments:

Blogger . intemporal . said...

.

. quando a interrogação é também in.quietação .

.

. e o poema a avara busca de tantos os dias .

.

. um beijo meu .

.

. paulo .

.

6:19 da tarde  
Blogger Manuela Freitas said...

Inquietação...inquietação...lembra-me a canção de José Mário Branco!
Aprecio o articulista Manuel António Pina, mas de facto pouco conheço da sua poesia!
Beijo,
Manuela

7:00 da tarde  
Blogger Cata- Vento said...

Um poeta contemporâneo que muito aprecio. A vida é feita de tantas interrogações!
Beijinhos

Bem-hajas!

7:13 da tarde  
Blogger hfm said...

Gosto muito de Manuel Antº Pina, gosto particularmente deste.

12:09 da tarde  
Blogger MIRANTE DO MAR said...

Ana, lembro de um poema, que é uma resposta a esses lindos versos de Manuel A. Pina.

Ana Hatherly

A verdadeira mão que o poeta estende
não tem dedos:
é um gesto que se perde
no próprio acto de dar-se

O poeta desaparece
na verdade da sua ausência
dissolve-se no biombo da escrita

O poema é
a única
a verdadeira mão que o poeta estende

E quando o poema é bom
não te aperta a mão:
aperta-te a garganta


Carinhoso Abraço,
Mirante

4:20 da tarde  
Blogger tecas said...

Aprecio a poesia do Manuel A. Pina.Não conheço toda a sua obra,porém a que conheço, quase toda é um mundo de inquietações e interrogações.
Parabéns querida Ana pela ecolha, dos autores do poema e da imagem.
Bjito amigo

4:48 da tarde  
Blogger BlueShell said...

A dimensão tão complexa do "eu"!...
grata por partilhares connosco.
E grata pelas palavras de Força que me deixaste! Obrigada. Precisamos, sim.
Um beijo imenso.
BShell (Isabel)

7:14 da tarde  
Blogger musicaquatica said...

o que é a vida senão um jardim de oliveiras?

que fundamento terão as nossas interrogações senão num jardim onde as vidas se fundem em palavras e música e poesia?

só assim faz sentido.

obrigada pela partilha uma vez mais,

Isabel :)

7:59 da tarde  
Blogger Daniel Aladiah said...

Querida Ana
Sempre que posso, aqui passo.
Beijo
Daniel

10:18 da tarde  
Blogger Tod(as) palavras said...

poesia instigante e vigorosa de Manuel António. beijo, Ana, e feliz semana.

11:55 da manhã  
Blogger A.S. said...

Querida Ana,

Um poema que interroga... tantas são as dúvidas do poeta!
Talvez sejam perguntas que ninguém sabe responder...

Um beijo meu Ana...
AL

10:37 da tarde  
Blogger ADiniz said...

Quanto voltamos pra dentro de nossa casa verdadeira, eu interior corremos riscos ao deixamos as duvidas tomarem conta das razões do sentir a vida, abrimos espaços pra busca do certo dando uma margem para o medo e logo atrás a inquietude do julgamento do erro.
Talvez fosse mais fácil se tentássemos não sermos normais ou iguais, pois assim quais seriam nossos parâmetros?!

Ana gosto muito dos poetas que trazes aqui, através de vc conheci alguns, fui à busca do que me tocou e depois não os abandonei mais.
Então grata mais uma das muitas vezes que vens dividir este momento.
Bjinhos e um final de semana feito esta lua cheia a vc.

2:30 da manhã  

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