sábado, junho 04, 2011

Apenas um cigarro

Foto de Jovan Miric


As palavras são as mesmas
mas deixei de saber o tempo
para chegar a ti
durante meses e meses
tinha perdido o hábito
as histórias que de noite sonhas
o evidente esplendor que depois
não tomou nenhuma forma

que razão é a deste amor
que tanto se confunde
com o medo

não dizias nda
tinhas de repente uma pressa desesperada
como quem do mundo inteiro
pretendesse apenas
um cigarro


José Tolentino Mendonça
(in De igual para igual )

7 Comments:

Blogger Isamar said...

Gosto de poesia, gosto do teu blogue e gosto deste poeta porque foi aqui que o fui conhecendo. Bem-hajas!
"que razão é a deste amor
que tanto se confunde
com o medo"
Quando amamos verdadeiramente cegamos e nem o medo nos faz ver de forma racional.

Beijinhos

7:08 da tarde  
Blogger A.S. said...

Ana,
Soube-me bem neste entardecer de domingo partilhar contigo este poema!...

Um beijo grande!
AL

6:31 da tarde  
Blogger Carlos Ramos said...

Parabens pelo teu blogue, pela escolha criteriosa das composições e dos poetas. O Tolentino e o Ruy Belo seriam escolhas minhas concerteza.

10:00 da manhã  
Blogger Baby said...

E deste poema que tanto me disse, sublinho a última estrofe:

"não dizias nda
tinhas de repente uma pressa desesperada
como quem do mundo inteiro
pretendesse apenas
um cigarro"
Um abraço de carinho.

6:41 da tarde  
Blogger De Amor e de Terra said...

Minha querida Ana, bom dia.
Que beleza minha amiga o que me dá este poema, beleza triste é certo, mas BELEZA.
Obrigada pela partilha.
Bjs.
M.M.

9:09 da manhã  
Blogger tecas said...

Olá querida Ana! Como sempre, mais um requintado poema.
Nunca li nada deste poeta, pelo que li, aposto, ser um poeta de mão cheia.
Excelente escolha.
Uma vénia para os dois.
Bem haja por o partilhar.
Bjito e uma flor.

7:59 da tarde  
Blogger musicaquatica said...

abraço :)

12:14 da manhã  

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