terça-feira, junho 21, 2005

Agora que as palavras secaram


Foto de André Paiva aqui


Agora que as palavras secaram
e se fez noite
entre nós dois,
agora que ambos sabemos
da irreversibilidade
do tempo perdido,
resta-nos este poema de amor e solidão.

No mais é o recalcitrar dos dias,
perseguindo-nos, impiedosos,
com relógios,
pessoas,
paredes demasiado cinzentas,
todas as coisas inevitavelmente
lógicas.

Que a nossa nem sequer foi uma história
diferente.
A originalidade estava toda na pólvora
dos obuses, no circunstanciado
afivelar
dos sorrisos à nossa volta
e no arcaísmo da viela onde fazíamos amor.


Eduardo Pitta

7 Comments:

Blogger Duarte said...

As palavras secaram, mas as ondas do mar continuarão a alagar o coração, qual efeito tão depurativo comparado com as lágrimas que por vezes vertem pela encosta do nosso rosto, mas que nos aliviam a frigidez dos olhos, e nos digigem o olhar ao reencontro das palavras que pareciam ermas e distantes.
Beijinhos ;)

12:05 da tarde  
Blogger TMara said...

há sempre uma dor, mais ou menos recalcada (na maioria das pessoas) por um amor vivido e...mal extinto. Arranjaste uma bela viela.Bjs e ;)

12:57 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Ana,

Um poema tétrico, mas muito belo. Não conhecia este autor, obrigado por partilhares connosco as tuas excelentes escolhas.

Beijinhos,
Rute G.

3:16 da tarde  
Blogger Daniel Aladiah said...

Querida Ana
É a forma de ler o que outros escrevem... e bem.
Um beijo
Daniel

6:21 da tarde  
Blogger lique said...

"Resta-nos este poema de amor e solidão". Quantas vezes... Não conhecia, obrigada por me "apresentares" :) Beijinhos

7:59 da tarde  
Blogger AS said...

Um poema doloroso, mas que traduz uma realidade tantas vezes vivida...

Um beijo

12:58 da tarde  
Blogger Duarte Temtem said...

Cara Ana,
Muito bem escolhido, o poema é lindíssimo!!
Bjs

4:55 da manhã  

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