domingo, agosto 14, 2005

Canção dos rapazes da ilha


Foto de Pedro Palma aqui


Eu sei que fico.
Mas o meu sonho irá
Levado pelo vento, pelas nuvens, pelas asas.

Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá...

Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá
Nos frutos, nos colares
E nas fotografias da terra,
Comprados por turistas estrangeiros
Felizes e sorridentes.
Eu sei que fico mas o meu sonho irá...

Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá
Metido na garrafa bem rolhada
Que um dia hei-de atirar ao mar.

Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá...

Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá
Nos veleiros que desenho na parede.



Aguinaldo Fonseca
(poeta de Cabo Verde)

23 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Embora sabendo que os olhos querem outro caminho. Permaneço. O sonho continua. Sim! Sempre!

Belíssimos poemas escolheste de poetas lusófonos. Boa escolha

vento

6:02 da tarde  
Blogger AS said...

Ana, esse sonho irá sim... mas nascerão outros sonhos!...

Um beijo grande

9:52 da tarde  
Blogger Cristina said...

Ana,

Esse sonho pode até ir, mas virão outros, é mesmo assim o circulo da vida

:)

Beijinhu

12:41 da manhã  
Blogger Dizzie said...

-Gracias por tu simpatia, este texto esta encantador.
"Eu sei que fico mas o meu sonho irá..."

"...Que um dia hei-de atirar ao mar."

Qtº sientimento...

2:16 da manhã  
Blogger Vênus said...

Olá *Ana*
Passei pra deixar um beijo de boa noite e desejar ótima semana pra você!
Poema belíssimo!
Bye

2:51 da manhã  
Blogger TMara said...

aparentemente um poema tão simples, com estrutura singela, imprime uma força e uma desolação mansa nesta fala dos sonhos almejados. Bjs de luz

7:09 da manhã  
Anonymous Maria do Ceu said...

Gostei do poema e fiquei a conhecer mais um poeta de Cabo Verde. Cumprimentos.

10:29 da manhã  
Blogger Kalinka said...

Olá ANA:
... numa garrafa bem rolhada que um dia hei-de atirar ao mar...
LINDO, muito lindo mesmo.
Sabes que sou mesmo tão louca que já tenho há alguns meses aqui bem diante de mim uma garrafa rolhada para fazer isso precisamente?
Só me falta escrever a mensagem para colocar dentro dela e lançá-la com a esperança que alguém a encontre!
Adoro 97% de poesia, e todas as que tens colocado são mesmo belas, mas noutro género, tal como tu, tb gosto da Florbela. Obrigado pela tua visita, aparece sempre que queiras, ficarei feliz. 1 beijo.

3:41 da tarde  
Blogger Penumbra said...

Olà Ana! Adorei o texto! Os sonhos que se vão nunca são em vão! Haverá mais que hão-de vir...! "... numa garrafa bem rolhada que um dia hei-de atirar ao mar..."... Brilhante!
Um Beijo

9:06 da tarde  
Blogger romero said...

Somos un poco más nosotros mismos durante el sueño :)

besitos

11:30 da manhã  
Blogger murmurio do silencio said...

Lindas escolhas como sempre Ana.
É sempre bom conhecer poesia em Português de outras paragens do mundo.

quanto ao sonho enquanto o mantiveres irás sempre onde ele te levar.

beijo

12:28 da tarde  
Anonymous André Domingues said...

continua nessa etnografia molhada...

beijos

9:02 da tarde  
Blogger lique said...

Simples, claro e tão belo, este poema. Tens-me dado a conhecer belíssimas vozes da lusofonia. Beijinhos, Ana

12:33 da tarde  
Blogger Heloisa B.P said...

ABRACO AMIGA!
E... gosto muito de Cabo Verde e de Suas Artes (ate' as da Culinaria!)! Cabo Verde e' ponto capital nas minhas MEMORIAS!
Beijinho.
Heloisa.
**************

8:16 da tarde  
Blogger in_finito said...

Tão bonito este poema, Ana! Prova de que nem sempre a boa poesia tem que ser intelectualizada.

8:23 da tarde  
Blogger Kalinka said...

ANA
Tantos miminhos tens aki recebido e mesmo assim continuas «desaparecida»???
Já foste de férias ou apenas ñ te apetece vir aki???
Eu compreendo isso, mas faz-te bem vir ler as belas palavras de apoio e energia k aki te dão, um grande incentivo.
Olha, espreita o meu cantinho e verás k está deserto, sem estar de férias, trabalhando e chegando à noite e não encontrar lá nada, desmotiva minha querida.
Será k me entendes? beijokas.

11:34 da tarde  
Anonymous zezinho said...

Adorei este poema, lindo, lindo, parabéns pela escolha, bfsemana, zezinho

11:29 da manhã  
Anonymous Jorge Vicente said...

gostei muito do seu blog e dos poetas da Lusofonia. Acrescento-lhe mais um: José Amor, de Angola. Escreve regularmente para o site Encontro de Escritas.


Abraços
Jorge Vicente

1:26 da manhã  
Blogger Quem sabe... said...

-Os sonhos são mesmo assim...
Uns surgem quase do nada, sem sabermos porque, e ate os atingimos...
-Outros que tanto desejamos...se desvanacem sem nos dizerem que ja se vão...

-Gostei muito :)

10:35 da manhã  
Anonymous zezinho said...

Deixo-te ainda a beleza das palavras..


SUSANA VITORINO
MOTE


Descalça vai pera a fonte

Lianor pela verdura;

Vai fermosa e não segura.


VOLTAS


Leva na cabeça o pote,

O testo nas mãos de prata,

Cinta de fina escarlata,

Sainho de chamalote;

Traz a vasquinha de cote,

Mais branca que a neve pura.

Vai fermosa, e não segura.


Descobre a touca a garganta,

Cabelos de ouro entrançado,

Fita de cor de encarnado,

Tão linda que o mundo espanta.

Chove nela graça tanta,

Que dá graça à fermosura.

Vai fermosa, e não segura.


Beijinhos, já com saudades, querida amiga

7:48 da tarde  
Blogger Alma de Poeta said...

Vale a pena percorrer o teu blog.
São lindissimos os poemas e muitos deles desconhecidos do grande público apreciador de poesia. Fica um beijo e o desejo de que continues, mesmo sabendo que por vezes nos falta um pouco de vontade.

3:47 da tarde  
Blogger Orfeu said...

Um Poema muito bem escolhido. O sonho que nos guia esvoaça à procura da realidade, mas nós permanecemos, ficamos presos à vida...queremos ir...mas nem sempre o vento nos leva.
Muito bonito

6:22 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

nossa bonito mesmo , tive uma lição sobre o poema e como recorri antes por aqui também , recorri de novo oque me ajudou muito.
Além de o poema ser muito lindo tem muitos sentimentos , mas para saber qual era a profissão deles? Falaram que era presidiarios!
Continua assim , Ana.
Ps: Sem blog
Ps²: to como anonima xD

10:40 da tarde  

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