sexta-feira, março 06, 2009

Luz


L'issue lumineuse (Vieira da Silva)


Talvez que noutro mundo, noutro livro,
tu não tenhas morrido
e talvez nesse livro não escrito
nem tu nem eu tenhamos existido

e tenham sido outros dois aqueles
que a morte separou e um deles
escreva agora isto como se
acordasse de um sonho que

um outro sonhasse (talvez eu),
e talvez então tu, eu, esta impressão
de estranhidão, de que tudo perdeu
de súbito existência e dimensão,

e peso, e se ausentou,
seja um sonho suspenso que sonhou
alguém que despertou e paira agora
como uma luz algures do lado de fora.



Manuel António Pina
(in Os Livros)


.

17 Comments:

Blogger ADiniz said...

Talvés este sentimento também possa ser sim compartilhado do outro lado do oceano,eu que escrevi algo semelhante e que tenho vivido a tempo, me deparar com este texto me comove profundamente e me faz pensar muito sobre a vida eterna.
Misteriosamente lindo tudo.
Abraços calorosos daqui do sul do Brasil da Ana

1:30 da tarde  
Blogger Maria said...

Perdi-me no quadro de Vieira da Silva, belíssimo!
Cada livro pode ser um mundo. e este poema é "estranhamente" belo!

Um beijo

1:52 da tarde  
Blogger Pico minha ilha said...

Despertar para uma nova luz é simplesmente lindo.Beijinho Ana

2:30 da tarde  
Blogger Carla Silva e Cunha said...

ola
hoje passo por aqui para convidar a ver o blog do meu pai
ele tem telas lindas e gostava que fosse ver.
deixe também um comentario
obrigado
beijinhos

http://www.acordeirodacunha.blogspot.com

3:46 da tarde  
Blogger Amaral said...

Bonito poema este, com tanta reflexão pelo meio, tanta incerteza mas, ao mesmo tempo, tanta imensidão para esconder uma certa esperança num outro mundo...
Talvez a luz seja mesmo o alvorecer dum belo sonho retirado da realidade...

4:00 da tarde  
Blogger Maripa said...

Belo poema...que depois de se ler faz reflectir.

"...e paira agora como uma luz algures do lado de fora."

Beijinho,Ana. Obrigada.

9:57 da tarde  
Blogger João52 said...

oix Ana vim aqui para te retribuir a visita, e agradecer "a pedrinha" que la deixaste... gostei do teu blog... beijos poeticos...

http://as7pedrasdoamor.blogspot.com

2:36 da manhã  
Blogger Cata-Vento said...

Vieira da Silva é um fascínio. Uma daquelas que a lei da morte libertou.
Quanto ao poema é lindíssimo. Um sujeito poético cheio de dúvidas mas que não perdeu a capacidade de sonhar.

Beijinhos mil,amiga.

Bem-hajas!

9:34 da manhã  
Blogger Vieira Calado said...

Olá, amiga!

Como tem passado desde o lançamento do livro do Torcato da Luz?

Onde tive o prazer de conhecê-la.

Já voltei a Lagos.

E como me disse que tinha dificuldade com o meu mail,
ele aqui vai:

vieiracalado@gmail.com

Desejo-lhe um bom fim de semana.

Beijinhos.

2:01 da tarde  
Blogger Isabel José António said...

Ólá! A foto da imagem de Vieira da Silva é extraordinária, parece captar a luz!

Há novidades nos blogues de Isabel e José António:

http://flordojacaranda.blogspot.com/
http://reflexoessentidas.blogspot.com/
http://diarioestetico.blogspot.com/
http://newsletterfromlisbon.blogspot.com/

E no OBSERVATÓRIO há uma homenagem do dia da Mulher.

Abraço,

Isabel

1:42 da manhã  
Blogger Pico minha ilha said...

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....._.;_“.-._ COM CARINHO

Neste dia da mulher.Beijinhos

11:25 da manhã  
Blogger ~pi said...

... as-sim

a ver-se-a-si-mesmo-outro...




beijo



~

7:27 da tarde  
Blogger ลndreia said...

já me perdi nessa imagem... *

7:59 da tarde  
Blogger A.S. said...

Ana, um belissimo poema do M.A.Pina!
Um grande amigo, um grande poeta. e um apaixonado por... gatos!!! Foi ele que apresentou o meu primeiro livro!...


Um carinhoso abraço

9:07 da tarde  
Blogger Lmatta said...

lindo poema
beijos

4:21 da tarde  
Blogger Maripa said...

Tens um desafio lá no "mar"...se quiseres lá passar...

Beijinho, Ana.

1:26 da manhã  
Blogger poetaeusou . . . said...

*
belo poema
de M.A. Pina
,
Vieira da Silva = Sempre
,
conchinhas deixo,
,
*

8:13 da tarde  

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