terça-feira, junho 22, 2010

Faltas-me . ...

Empty room ( Edward Hopper)



Faltas-me. Se aqui estivesses isto não seriam
palavras. Um trinco por dentro, essa ilusão
de voltar a ti olhando os papéis, desconheço
o que de mim resta quando as horas quase trazem
o silêncio e a boca se abre, faz a passagem
do teu corpo a um corpo que aproveita
a substituição que não sabe. Mudaremos o tempo
para nenhuma exigência, faltas-me quando estás
a caminho, já oiço os teus passos subindo
no fundo da escada. Amanhece. Nos sonhos
que não sou capaz de lembrar vens tocar-me
nos ombros e dizer ainda não são horas, ainda
não é alba. As palavras faltam-me, vou
calar-me nas duas voltas da chave, este papel
apagado, sujo da ausência dos teus gestos.




Helder Moura Pereira
(in De novo as sombras e as calmas)


.

13 Comments:

Blogger poetaeusou . . . said...

*
faltas-me,
como o sonho,
como o tempo,
como a chave das palavras !
,
Conchinhas, ficam,
,
*

9:24 da tarde  
Blogger PAS[Ç]SOS said...

Quantas vezes desejo ter essa chave para me soltar do silêncio, para me despovoar dessas palavras que preenchem horas em sobra, dessa boca aberta à espera, quem sabe, dum beijo que amanheça.

10:25 da tarde  
Blogger Lmatta said...

lindo conjunto
beijos

7:00 da tarde  
Blogger tulipa said...

Hoje...deixaste-me arrepiada com esta bela poesia. Sabes que ontem no avião consegui ler 30 páginas do livro "Fazes-me falta"...?

Agora chego aqui e leio:
"Faltas-me"
Pois...bela escolha a tua.

Estive ausente 10 dias e regresso hoje, com o post da blogagem colectiva sobre o S. João.

A minha intenção neste post é mostrar-vos um verdadeiro GUIA DE SOBREVIVÊNCIA, nestes dias de grande reinação. Chegaram os santos populares e com eles foi-se o sossego. Renda-se às tradições e junte-se à festa, seja ela em honra de que santo for. Mas como nem tudo são rosas, ou manjericos, é sempre bom saber uns truques de sobrevivência para que se possa divertir até de manhã sem nenhum tipo de chatices.
Antes de sair de casa - A prevenção para uma noite bem passada começa em casa. Primeiro que tudo, pense na roupa que vai vestir. Lembre-se que está calor, que vai para o meio da confusão, que vai ser uma entre milhares de pessoas e que se vai fartar de andar e dançar. Sendo assim, nada melhor que roupa simples, leve e fresca. Nos pés nem pense em pôr saltos altos ou chinelos! Depois vai passar o tempo todo a queixar-se das bolhas. Por isso não arrisque. Sapatos confortáveis e fechadinhos.

Abraços sanjoaninos.

8:24 da tarde  
Blogger █► JOTA ENE ◄█ said...

ººº
Gostei de te ler...

9:51 da tarde  
Blogger AC said...

Leio e...

Ah, como é bom, por vezes, silenciar o tempo, inventar uma ilha que nos isole do mundo...
Então poderás vir, nem que seja por um instante, e silenciar a minha vontade de ti.

Gostei.
Beijos

7:51 da tarde  
Blogger Baby said...

Não conhecia o poema nem o poeta, mas gostei!
..."este papel apagado,
sujo da ausência dos teus gestos."

Beijos.

10:53 da tarde  
Blogger via said...

gosto do helder moura pereira, gosto da linguagem simples para dizer coisas impossíveis.

10:03 da manhã  
Blogger . intemporal . said...

.

. há palavras que são gestos .

.

. bel.íssimos e revolucionários .

.

. um beijo meu, Ana .

.

. um bom fim de semana .

.

. paulo .

.

11:23 da manhã  
Blogger lupussignatus said...

as arestas

da

sombra


[guardam chaves
de luminosas
casas]


*domingo
ensolarado*

3:03 da tarde  
Blogger A.S. said...

Quanto mais longa é a ausência, mais intenso será o momento do encontro...

Beijos, Ana!
AL

10:09 da tarde  
Blogger maria manuel said...

a dor, a dificuldade de aceitar uma separação, a saudade que instaurou um vazio nos dias do "eu" e a óptima escolha do quadro de Hopper, sugerindo esse mesmo vazio, as paredes em que o "eu" já só pode repetir "faltas-me"

beijinho, Ana

11:17 da tarde  
Blogger soggyscheme said...

a conjugação imagem/ texto está muito boa. gostei.

11:55 da tarde  

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